Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Prova de amor

Quando sentimos que pertencemos a alguém e quando se ama verdadeiramente, por vezes sentimos também a necessidade de uma entrega sem exigências, única, sem contrapartidas, sem principio, sem fim… simplesmente assim…
-
no perfume dos teus olhos
nesse olhar profundo e infinito
mergulho intencionalmente
sem pensar em mim
e entrego-me aos teus beijos
com uma brisa suave
e cheia de ternura
só tua
-
© Victor José
Extraído do poema “Prova de amor”
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Regresso à inocência
Como já fomos inocentes, puros… alheios a conflitos da sociedade moderna e sem princípios éticos. Como já fomos felizes e ingénuos por não nos preocuparmos com o futuro e de não lamentarmos o passado… como eu gostaria de reconquistar a minha inocência…
-
mais um dia chega ao fim
sem a glória das batalhas antigas
sem aplausos e sem honra
apenas com a simplicidade de um anoitecer
tranquilo como o infinito do universo
adormecendo ao meu lado
(…)
mais uma noite
sem a luz mimosa das minhas estrelas
sem os carinhos do vento confuso
desbastando os restos da minha imagem
e triste
desanimado
perdido entre labirintos
e as formas da minha imaginação
regresso ao ponto inicial da minha inocência
e deixo-me adormecer
como um barco abandonado
arrastado pela corrente de um olhar
-
© Victor José
Extraído do poema “Regresso à inocência”
Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Nasci para te amar

Nascemos para sofrer, para criar, para ajudar, para construir, para perdoar, para acreditar… para sonhar, para chorar… para vencer, para perder…
A nossa vida é uma mistura perfeita de contrastes onde é importante e imperativo AMAR… e deixar a nossa alma conquistar o Universo antes de morrer…
-
(…)
só sei que nasci para te amar
mesmo na imperfeição do tempo adulto
mesmo na desordem da minha teimosia vegetal
só sei que te amo
mesmo como uma simples gota de orvalho
na neblina de uma manhã
e quando acordo
rendo-me e sigo as pegadas da minha fantasia
e voo até ao fundo do teu coração
aí me sinto feliz
-
© Victor José
Extraído do poema “Nasci para te amar”
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
Recordações de amor

Recordações de amor quem as não tem? Fazem parte da nossa vida, da nossa melancolia, da nossa felicidade… e não as devemos esquecer, porque nos ajudam a entender e a viver melhor o presente, ajudam a diferenciar o que devemos guardar no coração e a aguentar a nostalgia de um passado… pela saudade ou pela indiferença de não terem sido mais que isso… recordações!
-
no desespero do tempo
procuro a minha vontade de te amar
sem ter um pouco de ti
na minha imaginação
ainda vives e resistes
às minhas tentações de te afastar
de tudo o que é teu
e do nada que a tua vida nunca te ofereceu
as minhas carícias
embaladas para ti
no branco das ondas salgadas
nada te valeram
nem a mim
nem às gaivotas
famintas de saudade
de ver o nosso amor
-
© Victor José
Extraído do poema “Recordações de amor”
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
As nossas sombras
Duas sombras… a minha e a minha outra. Um diálogo entre sombras existentes sem consequência directa de uma luz… sombras fantasmas marcadas pelas sede de amar, pelo sofrimento de feridas invisíveis… saudades da minha outra luz, da minha outra sombra real…
-
(…)
não tenho força
para aguentar o meu perfil destruído
com ácido de suores frios
e vestido de cal branca
para resistir ao calor do sol
não sei desistir
esquecer que fui vencido
por isso ignoro as minhas fraquezas
os meus murmúrios de dor
e as cicatrizes das minhas feridas
(…)
-
© Victor José
Extraído do poema “As nossas sombras”
Domingo, 5 de Outubro de 2008
Adrenalina do amor

Duas almas envolvidas em carícias, dois corpos unidos num só sentimento… um transpirar saudável… desejado… adorado… amado por todas as milhares de células do meu corpo, cada uma sentindo por si… um só amor…
-
no meu corpo suado
quando te amo
encontro a vertente da minha felicidade
como uma chuva de estrelas coloridas
perseguidas pelos beijos ardentes da nossa lua
pelos poros da minha pele
soltam-se as lágrimas de alegria
adquirem um carácter próprio
sentem
respiram
e muito mais intensamente
quando te sinto minha
só minha
e das raízes da minha loucura
(...)
-
© Victor José
Extraído do poema “Adrenalina do amor”
Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
Do outro lado do choro

Nem sempre existe uma explicação para o nosso choro e a nossa melancolia. Por vezes lamentamos demais a nossa pouca (?) sorte e quase deixamos de viver.
Aqui, o excerto deste poema, é o meu diálogo imaginário com uma amiga que se achava infeliz e excluída por todas as outras pessoas à sua volta…
-
o que fazes quando não choras
quando não sentes
quando não ouves o teu envelhecer
o que fazes quando não pensas
quando encontras a tua convicção resignada
vencida
sequiosa da glória dos velhos tempos
diz-me a letra do teu cântico
silencioso
envelhecido
(...)
-
© Victor José
Extraído do poema “do outro lado do choro”
Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
A revolta das palavras
Este é o resultado de um “dueto poético” entre a minha pessoa e a grande poetisa Rosa Familiar, improvisado (como sempre) perante uma situação que deu os seus frutos em forma de belas palavras, de cumplicidade de sentimentos e de um horizonte que NÓS sabemos entender… aqui fica o testemunho:
Maresia revoltada em volta de ondas sem dó nem piedade,
com paisagens mudas e revestidas de palavras inodoras
Forçada a revolta das letras misturadas no sal da brisa
libertando sentimentos crus, sensuais, atenuantes da minha dor
Impregnada de ódio que tu… e tu… e mais tu,
deixaste-a nos meus lábios com um beijo disfarçado de sofrimento
Nos fazem lembrar a cada dia que passa.
quando passa, quando não grita e não disfarça
E não é nada, nada mesmo nada, a não ser a revolta das palavras
essas sombras adormecidas presas em redor de uma luz
Que nos amedrontam a alma perdida pela certeza de que a sociedade foge
consente, inventa e ruma por aí sem destino à procura de um sentido
Corre, pára e não diz nada…
rodopia, salta, levanta e não diz nada… quer dizer tudo de uma vez
Junta-te a nós e reclama da palavra mal dita ali ao lado,
ou então resume a tua mensagem a um gesto, ao teu horizonte limitado
Da frase escondida debaixo da resma de folhas amarrotas,
deixa-a criar raízes, deixa-a vingar em terra fértil
Do pensamento que não sai do teu cérebro porque não o quiseste escrever,
descansa sobre ele, deixa-o amadurecer e ganhar razão
Da letra mais pequena que nunca sabes escolher…mas reclama.
não tenhas medo da palavra que podes construir, uma a uma
Não fiques parada em frente ao espelho partido
mas não corras, não queiras esquecer o teu passado, a tua dor
Que te enche a cara de rugas falsas, quebradas e maliciosas…
afinal a consequência lógica dos nossos velhos pensamentos
Vira-te para mim, enfrenta o negrume do ódio que acarretas
por uma vez na vida junta-te a mim, sonha comigo, vive por mim
E acredita na eternidade….esse mundo que todos dizem não existir…
acredita que o fim já passou e que a vida começa, já
© Rosa Familiar / Victor José ©
Domingo, 24 de Agosto de 2008
Desencontro

Por vezes procuramos muito no nosso horizonte e acabamos por encontrar a imagem da nossa própria melancolia, com luzes falsas ou sem calor humano... foi o que me aconteceu e então escrevi assim:
encontrei o fim de uma paisagem
sem o mar dos meus sonhos
chorei de mais
e encontrei-me em lugar longínquo
como gaivota da minha própria imagem
ignoro os meus desejos pelos céus
e quando os reencontro
tenho medo dos seus pensamentos
fico pálido
calado
sem sombra para a minha alma
© Victor José
Extraído do poema “desencontro”
Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Resignação

Este poema, é a consequência lógica de quem tanto luta na vida e quase se deixa vencer pela resignação, por lutar contra a corrente, contra inimigos invisíveis, contra o cansaço, contra si próprio.
Estas afirmações estão relacionadas com uma infinidade de situações, pensamentos e reflexões profundas sobre o que sou e como vivo... ou como gostaria de viver...
-
cansei
de ser objectivo e dinâmico neste mundo
cansei
de dormir acordado junto à minha alma
e de não querer acordar
cansei
de respirar sem horizontes
nos meus pulmões transparentes
(…)
cansei
de torturar o meu cérebro pálido
de procurar o meu velho sonho
cansei
parei
mesmo ao despir as pedras do meu destino
(…)
-
© Victor José
Extraído do poema “Resignação”
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
Os trapos da tua vida

Para quem nunca reflectiu sobre a sua vida, ou para quem nunca a teve… para quem nunca se importou com os trapos inutilmente transportados… atrapalhando o presente e hipotecando o futuro…
-
(…)
rezas pelo teu fim
para pintares no branco do teu vazio
as tuas memórias
as tuas loucuras negras
falsificadas
mal vendidas como obras de arte
mesmo assim não sabes
quando tens tempo
para reflectires sobre a tua vida
não sabes
nem te queres lembrar
do significado dos teus trapos
o porquê de tantos sentimentos em tecido sujo
-
© Victor José
Extraído do poema “Os trapos da tua vida”
Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
Jogos de palavras
Quem não gosta de jogar com as palavras? Escritas, faladas, pensadas… manipuladas, falsas, importantes, sinceras, fortes, grandes, minúsculas… perdidas, desesperadas… …
Aqui, as minhas palavras são algo de indefinido e donas de mim… será?!
-
as palavras da minha poesia
moribundam pelo ar
não se vêem
não se sentem
mas ali estão
prontas a serem filtradas pela minha fantasia
de vez em quando perseguem-me
culpam-me
libertam-me
guiam-me no labirinto dos meus desejos
por vezes escondem-se
quando adivinham a minha fúria invisível
e aceleram o pulsar do coração
outras vezes
aparecem em frente aos meus olhos
como flores triunfantes
-
© Victor José
Extraído do poema “Jogos de palavras”
Domingo, 1 de Junho de 2008
Pensamento... faz bem sonhar...
Talvez o meu contacto com outras culturas e povos, tenham sido determinantes para o meu desenvolvimento intelectual, equilíbrio da minha auto-estima e respeito que tenho pelos outros e seus ideais.
Por vezes, gostaria de abandonar esta sociedade e partir em direcção a outra mais simples, menos ambiciosa e exigente, mais pura, mais humana e consequentemente mais feliz.
Ainda não perdi a esperança, só quando e para onde é que ainda não sei...
…faz bem sonhar !
© Victor José
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Pensamento... como eu sou...

Não quero impor nunca os meus pensamentos e ideias a ninguém, muito menos insistir e teimar que estes são os únicos e correctos… quero apenas viver, sentir e tentar ser feliz à minha maneira.
Mas mesmo assim não consigo deixar de odiar o tempo, os anos, as desilusões, odiar-me a mim próprio e por vezes até tudo o que amo.
© Victor José